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Ultiworld – “Homens tocam mais no disco que mulheres”

O site Ultiworld,  portal com notícias, análises e artigos sobre Ultimate, postou duas matérias que me chamaram a atenção. Uma estava aberta para todos lerem e a outra somente para assinantes do portal. Por ser um tema quente e de grande impacto na comunidade esportiva, o portal liberou ambos para leitura. O primeiro é Men Touch Disc More Than Twice As Much As Women In Mixed, Though Gap Is Slowly Closing.

Decidi traduzir de forma livre o conteúdo na íntegra. Fazendo algumas pequenas adaptações linguísticas. Todos os direitos e créditos são reservados aos autores e ao portal Ultiworld. Confiram o original no link destacado acima.

Assim sendo, confira o conteúdo em português abaixo e prepare-se para uma minisérie do PODCATCH BR sobre o tema. Serão 3 episódios com 1 convidado em cada episódio. Aproveite a leitura!



Homens tocam no disco mais que o dobro do que as mulheres, na categoria mista, embora a diferença esteja lentamente diminuindo

Um novo conjunto de dados analisa quem está tocando o disco na categoria Mista Elite, arremesso por arremesso, em todos os jogos filmados da temporada de 2019.

Of all the mixed teams at the Club Championships in 2019, Montana Moondog had the most balance among touches between men and women. Photo: Rodney Chen -- UltiPhotos.comDe todas as equipes mistas no Club Championships de 2019, o Montana Moondog teve o maior equilíbrio entre os toques entre homens e mulheres. Foto: Rodney Chen – UltiPhotos.com

Ao longo da última meia década, questões relacionadas à equidade de gênero têm estado frequentemente na frente da comunidade. Enquanto continuamos a lidar com o assunto, um lugar no esporte que recebeu intensa atenção – tanto positiva quanto negativamente – tem sido a divisão mista.

Para alguns, ver homens e mulheres competindo no mesmo campo, no mais alto nível, é evidência de progresso – ou, na pior das hipóteses, desejo de progresso – rumo a uma posição mais equitativa entre os sexos. Para outros, a divisão serve apenas para destacar disparidades e prestar atenção à causa, já que os homens são mais frequentemente líderes de equipe e pontos focais em campo. De qualquer maneira, conflitos de química da equipe, relacionamentos com jogadores e conduta em campo na divisão precisam ser tratados através de uma lente de relações de gênero, principalmente através da equidade. Embora estes possam certamente ir nos dois sentidos, as mulheres geralmente são as que se sentem marginalizadas, dentro e fora do campo.

Sabemos que a desigualdade de gênero existe no Ultimate, assim como em toda a sociedade e mundo. Mas a própria divisão mista é desigual? Está aumentando a disparidade, perpetuando-a ou exacerbando-a? Como podemos saber?

Há muitas discussões anedóticas sobre essas questões há anos, além de um crescente conjunto de esforços para quantificá-la com estatísticas. Há cinco anos, Jane Carlen expôs algumas reflexões sobre as contribuições esperadas e reais com uma base rudimentar em gols, assistência e defesas no 2013 Mixed Nationals. Então, em 2018, Kathy Frantz conduziu um projeto de pesquisa de graduação que apresentava um conjunto de dados muito mais detalhado sobre a quantidade e o tipo de toques em comparação entre os sexos na divisão mista. Ambos estudos foram limitados à sua maneira pela quantidade e tipo de dados disponíveis, e ambos foram objeto de um debate acalorado por suas conclusões.

Agora, temos outro ponto a acrescentar à conversa: estatísticas relevantes para todas as equipes mistas classificadas para o Nacional em 2019. Ao longo da última temporada, Ultiworld, ESPN e USAU filmaram 55 jogos mistos em nove torneios. Isso não apenas incluiu filmagens de todas as equipes que participaram do National, mas também incluiu jogos de 14 equipes pelo Elite ou Select Flight. Consegui assistir e coletar dados de todos esses jogos, criando um perfil de cada equipe individual filmada e da coorte de forma agregada.

Soma e média geral em toda a divisão | Divisão de equipes individuais | Dados jogo a jogo

Esses novos dados podem não fornecer respostas definitivas para as questões mais difíceis relacionadas à equidade dentro da divisão mista e da equidade de gênero, mas servem como um conjunto de dados adicionais para a conversa em andamento.

Nota importante antecipadamente: por uma questão de simplicidade, vou me referir a jogadores e estatísticas como apenas homens e mulheres. Embora reconheça que o gênero não é claramente binário, as regras da divisão mista os tratam dessa maneira.

Para entender melhor como os toques se desenrolam na divisão mista,  eu anotei duas coisas em particular: toques totais por gênero e quem está lançando para quem. O total de toques por gênero é auto-explicativo e é superficialmente a comparação mais fácil de fazer. Originalmente, eram os únicos dados que planejava coletar, mas, no meio do processo, percebi que os toques sozinhos não contam a história completa. Então eu voltei e anotei a discriminação de gênero de quem joga para quem. Vejamos os dados aos poucos.

Primeiro, o que qualifica como “toque”? Um toque é quando um jogador toma posse do disco com a intenção por parte da equipe. Por exemplo, um toque é anotado quando um jogador pega um Pull, pega um disco morto ou recebe no curto. Um toque NÃO é anotado se um jogador recebe o disco por acidente, por exemplo, fazendo um interceptação ou recepcionando um passe destinado a outra pessoa.

Também é importante observar que o número de toques de um jogador não leva em conta o valor do toque. Os passes curtos para resetar não impactam na probabilidade de uma equipe pontuar tanto quanto um longo. Estatísticas detalhadas de arremesso e recebimento de jardas poderiam fornecer um contexto adicional aqui, mas estavam além do escopo desta pesquisa.

Gender Touch Breakdown 2019

% of Touches by Gender on Nationals Mixed Teams in 2019

Team Games Logged % of Touches by Men % of Touches by Women
Drag’n Thrust 9.932 60.78% 39.23%
Mixtape 8 70.49% 29.51%
AMP 12 62.36% 37.64%
Wild Card 3 76.03% 23.97%
Slow White 3.93 73.95% 26.05%
Mischief 9 62.29% 37.72%
Space Heater 6 60.42% 39.58%
BFG 4 69.18% 30.83%
shame. 4 74.30% 25.70%
Snake Country 7.7 74.26% 25.74%
Toro 5 70.62% 29.38%
Public Enemy 3 72.10% 27.90%
Cocktails 3.96 72.90% 27.10%
Polar Bears 1 73.40% 26.60%
Moondog 2 57.65% 42.35%
Superlame 1.96 65.95% 34.05%
TOTAL 84.48 68.54% 31.46%

Em 2019, a proporção média de toques em equipes mistas qualificadas para o Nationals foi dividida em 68,54% para homens e 31,46% para mulheres. Obviamente, algumas equipes equilibram os toques mais do que outras. Comparados às mesmas medidas do estudo anterior de Frantz, os clubes de elite 2019 tiveram uma divisão muito mais próxima do que os de 2014-2017 (74% para homens e 26% para mulheres). Embora eu tivesse muito mais dados concentrados para trabalhar, eles parecem indicarem que a divisão, em média, está se tornando menos centrada nos homens.

As equipes estudadas em 2019 que não se classificaram para o Nationals, eram um pouco mais equilibradas, com 66,72% dos toques indo para homens e 33,28% para mulheres. No entanto, destaco que o tamanho da amostra é geralmente muito menor nesse grupo e que existem um grande número de variáveis ​​que influenciam os resultados, nós não sugerimos que o equilíbrio de gênero nos toques esteja correlacionado com o sucesso, de uma maneira ou de outra.

Uma explicação para parte do desequilíbrio geral pode ter a ver com o papel. Os handlers geralmente representam a maioria dos toques em uma equipe – esses indivíduos podem acumular mais de 20+ toques em um único ponto contra uma zona – o que distorce rapidamente os números. Embora houvesse várias equipes que frequentemente operavam “all-men backfields” (acredito que significa homens trabalhando o disco, como handlers, resets, dumbs. mais envolvidos no jogo curto), eu não vi uma única equipe que dependesse exclusivamente de mulheres nessa função. De fato, das 30 equipes estudadas, apenas uma – a Seattle Birdfruit – teve um jogo em que os toques das mulheres superavam os dos homens. Por quê? Porque a Birdfruit foi a única equipe a operar “all-women backfield”. Em quase todos os outros times, tinham se poucas handlers.

Isso significa que as mulheres da divisão mista não são tão talentosas em lançar quanto os seus colegas de equipe homens? Claro que não – existem numerosas lançadoras incríveis em toda a divisão. Mas é claro que pelos dados, poucas equipes colocam muitas mulheres em posições para operar como handlers centrais e assim, aumentar os toques.

Dadas as evidências anedóticas e os conjuntos de dados anteriores, não é surpreendente descobrir que os homens tendem a tocar o disco com mais frequência do que as mulheres. Se as equipes geralmente têm mais homens como handlers, podemos esperar que eles tenham mais toques. Mas para quem esses handlers estão lançando?

Várias equipes de destaque nos últimos anos foram acusadas de “só com caras”, ou seja, exibindo uma tendência dos homens lançarem majoritariamente para outros homens. Mas o que qualifica um jogo “só com caras”? Existe um análise estatística com o qual podemos comparar as equipes ou é algo mais observacional – apenas um pressentimento de que uma equipe não está distribuindo o disco entre os sexos de maneira justa? Embora eu ache que a definição de “só com caras” ainda se enquadre diretamente na opinião pública, nós podemos compartilhar dados sobre a frequência com que os homens lançam para outros homens ao contrário às mulheres do Eite – e vice-versa, em termos de quem as mulheres lançam para.

Gender Connections in Mixed 2019

Team M-M% Avg M-W% Avg W-M% Avg W-W% Avg WTEEM5
AMP 36.21% 27.43% 24.38% 11.99% 28.13%
BFG 43.68% 26.15% 22.48% 7.75% 12.82%
Cocktails 50.80% 22.40% 19.53% 7.28% 9.76%
Drag’n Thrust 31.71% 30.04% 25.98% 12.25% 35.05%
Mischief 34.72% 29.50% 23.40% 12.39% 21.77%
Mixtape 47.49% 25.54% 20.11% 6.85% 13.19%
Moondog 29.55% 30.80% 24.55% 15.20% 47.06%
Polar Bears 52.80% 21.80% 19.30% 6.10% 25.00%
Public Enemy 49.60% 24.50% 21.03% 4.86% 20.37%
shame. 53.43% 23.98% 16.95% 5.70% 10.39%
Slow White 51.35% 25.80% 17.85% 5.05% 6.67%
Snake Country 53.86% 22.96% 18.09% 5.11% 7.75%
Space Heater 31.88% 29.33% 25.70% 13.10% 30.91%
Superlame 34.95% 31.35% 25.90% 7.80% 23.53%
Toro 48.54% 23.42% 18.76% 9.28% 17.05%
Wild Card 53.30% 25.27% 18.47% 3.00% 2.17%
TOTAL 43.99% 26.27% 21.40% 8.36% 19.48%

No total, quase 44% dos toques em jogos mistos entre equipes do Elite em 2019 são de um homem para outro. Tanto os homens com as mulheres são mais propensos a lançar para um homem do que para uma mulher. Apenas 8,36% dos passes foram conectando duas mulheres.

Um dado final que pensei que seria interessante destacar é a porcentagem de pontos que uma equipe jogou em que as mulheres tiveram mais toques que os homens, denominada WTEEM. Menos de 20% dos pontos registrados no meu estudo viram as mulheres de uma equipe tocarem no disco com mais frequência do que seus homens. Das 30 equipes estudadas, apenas o Seattle Birdfruit teve o volume de toque das mulheres superior ao volume de toque de seus homens na maioria dos pontos registrados.

Embora esses dados sejam certamente informativos, não acho que possamos fazer declarações amplas sobre desigualdade de representação ou sobre o estado da categoria mista em geral. O objetivo deste estudo foi mais para coletar uma linha de base, uma taxa média de toque que podemos esperar de equipes mistas da elite, em vez de confiar apenas em evidências circunstanciais ou anedóticas. Certamente, olhar para uma única variável (como sexo) corre o risco de simplificar demais uma situação, especialmente com uma situação dinâmica e variável de equipe para equipe, level para level, região para região, etc.

É importante reconhecer que este projeto é principalmente de educação, não de persuasão. Não atribuímos julgamentos de valor a nenhum desses pontos de dados, não estamos sugerindo que estratégias ou ratio específicas estejam correlacionadas com o sucesso e certamente não estamos tirando conclusões abrangentes sobre o que essas estatísticas em campo significam sobre o estado de equidade de gênero para essas equipes, elite mista ou comunidade de Ultimate em geral.

Convidamos equipes mistas a revisar os dados, tanto na comparação agregada quanto por equipe, e decidimos o quanto eles se alinham às estratégias, metas e valores da equipe. Esperamos que mais estudos – e mais compreensivos – possam ser realizados no futuro, para que tenhamos comparações ao longo do tempo e conversas mais detalhadas sobre os dados que coletamos. Quanto mais soubermos como as oportunidades estão surgindo em campo, melhor podemos lidar com questões de equidade.

Oportunidades para pesquisas adicionais

Com mais tempo para coletar e vasculhar os dados, há várias outras estatísticas que eu adoraria ver e que podem ajudar a criar uma imagem mais completa de como os gêneros estão envolvidos no campo. Vários permitiriam comparações mais diretas com conjuntos de dados anteriores. Esses incluem:

MAIS JOGOS em geral – Em primeiro lugar, todos esses dados são mais compreendidos em mais jogos, onde podemos limitar o impacto de qualquer estranheza relacionada às condições climáticas ou incentivos competitivos incompatíveis em jogos individuais. Um jogo só não é um tamanho de amostra suficiente para extrapolar qualquer coisa. Desculpe, Polar Bears. Vamos ter mais jogos mistos em filme!

Ratio de gênero ponto a ponto – Saber quantos jogadores de cada gênero estavam em campo para um determinado ponto nos ajudaria a entender as relações de toque esperadas se todos os jogadores tivessem a mesma probabilidade de estar envolvidos. Embora obviamente não seja esse o caso, também seria fascinante estudar quais equipes preferem quais proporções e se ou como isso se correlaciona com a distribuição de toques. Observacionalmente, as equipes que vi que ditavam quatro mulheres na maioria das vezes eram Birdfruit, Moondog, Drag’n Thrust e AMP.

Composição do elenco – Da mesma forma, analisar as proporções de gênero em outro nível – quantos jogadores de cada lista de equipes de gênero – poderia esclarecer mais se o detalhamento da lista está relacionado às contribuições em campo e às tendências históricas. Anedoticamente, acho que as listas de elite estão tendendo a um equilíbrio mais balanceado de homens e mulheres ao longo do tempo, mas números concretos podem ser úteis para interpretar se isso contribuiu para o ligeiro aumento no equilíbrio do toque nos últimos anos.

Estatísticas individuais – dados de toque de referência cruzada com estatísticas individuais, como pontos jogados, gols, assistências, bloqueios, etc. Uma “taxa de uso” pode nos ajudar a ver se um ou dois indivíduos – independentemente do sexo – estão inclinando toques de uma maneira ou de outra para uma equipe.

Jardas ganhas pelo jogadores – em termos de impacto na probabilidade de vitória, o número de toques por um jogador não é tão importante ou valioso quanto a qualidade do toque. Os handlers podem ter muitos toques, mas se eles estão apenas girando o disco para frente e para trás, pouco está realmente sendo ganho. Enquanto isso, um corte gigantesco para o curto, que ganha enormes jardas é uma única conclusão, mas ele vale numerosos up-lines e dump-swings na probabilidade de pontuação de uma equipe. Idealmente, teríamos acesso a números de jardas, juntamente com os outros dados coletados aqui.

Estatísticas de outras divisões – Sugerimos que o papel no campo possa influenciar fortemente a descontrução de toques em uma equipe. Seria interessante comparar dados de toque no nível de jogador de divisões de gênero dividido para ver quanta posição/papel pode explicar o desequilíbrio nos toques independentemente do gênero.

Apêndice

Embora nossos estudos não tenham exatamente as mesmas coisas, um estudo semelhante de 2018 de Kathy Frantz analisou 18 jogos nacionais de 2014 entre 2017 e 2017. Não vou abordar todos os detalhes aqui (leia-o!), Mas suas descobertas incluem:

  • Os homens tinham cerca de 74% dos toques de sua equipe, enquanto as mulheres tinham apenas 26%
  • Equipes que tiveram mais mulheres no elenco também tiveram porcentagens de toque mais altas
  • Homens pegaram um disco do chão 93% do tempo enquanto jogavam 4M / 3W
    (84% quando era 4W / 3M)
  • 65% dos passes longos foram realizados para homens.

No final, Frantz ofereceu três principais tópicos, nenhum dos quais podemos confirmar ou refutar, mas que pode ser relevante em uma revisão de nossos novos dados:

No geral, há uma significativa falta de paridade entre jogadores masculinos e femininos em todas as estatísticas. Isso é mais perceptível em toques e longos, onde é aparente que os homens têm um papel muito mais dominante ofensivamente. Os homens também fazem mais jogadas defensivas no geral, mas têm uma proporção menor de defesa para o ataque. Isso pode apoiar a noção tradicional de que as mulheres têm mais um papel defensivo do que ofensivo no misto.

Não apenas as mulheres estão sub-representadas no jogo, mas também não há diferença substancial em suas contribuições ao jogar 4M vs. 4W. Em particular, as mulheres têm em média cerca de 20% menos toques que os homens em ambos os cenários. Isso pode sugerir que o jogo em si não é de fato influenciado pela proporção de gênero, mas é afetado de maneira mais proeminente por outras variáveis.

Finalmente, ter mais mulheres representadas em uma escalação leva consistentemente a um maior envolvimento feminino. As equipes com uma porcentagem maior de jogadoras optam por jogar 4W com mais frequência e têm uma porcentagem maior de toque feminino em ambas as proporções. Em todos os campos em que a porcentagem da lista de jogadores é considerada contra o jogo, há uma forte correlação entre um elenco maior de jogadoras levar ao uma participação feminina maior durante um jogo.”

 

17 DE ABRIL DE 2020, POR CHARLIE ENDERS E STEVE SULLIVAN.

 

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